O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB–PB), presidente estadual da legenda na Paraíba, afirmou que defende mais transparência na destinação das emendas parlamentares e considera legítima a cobrança da sociedade por mecanismos de fiscalização. O tema voltou ao centro do debate nacional após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para ampliar o controle sobre a aplicação desses recursos.
Questionado sobre as críticas ao atual modelo, frequentemente apontado por privilegiar interesses políticos em detrimento de critérios técnicos, Veneziano afirmou que todas as emendas de sua autoria possuem destinação conhecida. “Eu posso lhe dizer que, de minha parte, falo com a tranquilidade de expressar, primeiro, que todas as emendas que nós direcionamos e utilizamos fazendo as suas indicações são sabidamente conhecidas. Os gestores, as gestoras e os beneficiários sabem exatamente para onde esses recursos foram destinados”, declarou à rádio CBN Paraíba.
Ao defender sua atuação, o senador citou investimentos realizados na área da saúde e em entidades sociais. “Eu posso citar aqui o acelerador linear da FAP, posso mencionar investimentos de custeio para diversos hospitais e também recursos destinados a organizações e entidades de caráter social. O que me deixa muito tranquilo é que sobre mim não pesará questionamento do tipo: ‘o senador Veneziano colocou recursos para pedidos aleatórios’. Todos eles são conhecidos”, afirmou.
Veneziano também destacou obras de infraestrutura financiadas com recursos indicados por seu mandato. “Quando você coloca R$ 270 milhões para a duplicação entre Campina Grande e a Praça do Meio do Mundo, você não está beneficiando apenas Campina Grande. Está beneficiando milhares de pessoas que utilizam aquele trecho. Da mesma forma, quando destinamos R$ 46 milhões para a triplicação da BR-230, beneficiamos Cabedelo, João Pessoa e todos os cidadãos que trafegam pela rodovia”, ressaltou.
Ao comentar as medidas adotadas pelo ministro Flávio Dino no STF, o parlamentar saiu em defesa da atuação do magistrado. “É aí onde eu defendo quando o STF, através do ministro Flávio Dino, cobra transparência. Ele foi injustiçado quando disseram que agia por orientação do Palácio do Planalto. Não. Ele enxergou a necessidade de exigir mais transparência. Tanto é verdade que houve casos de parlamentares condenados exatamente por não terem dado publicidade adequada às suas destinações”, afirmou.
Apesar de defender o instrumento das emendas parlamentares, Veneziano fez uma ressalva sobre o volume de recursos atualmente sob influência do Congresso Nacional. “O Congresso ampliou até além do que eu penso ser razoável a sua participação nesses valores. Aí sim cabe uma crítica. São cerca de R$ 55 bilhões que os parlamentares das duas Casas utilizam para fazer indicações. Você pode até me questionar porque sou parlamentar e também sou beneficiado por esse modelo, mas eu não posso desconhecer que houve um exagero. Acho um exagero”, concluiu.
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