O ex-prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao Governo do Estado, Cícero Lucena (MDB) afirmou nesta quarta-feira (27) que a disputa estadual de outubro deve priorizar os problemas da Paraíba em vez da polarização entre esquerda e direita no cenário nacional.
As declarações ocorrem em meio às movimentações políticas envolvendo o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT) à pré-candidatura do governador Lucas Ribeiro (PP) à reeleição. Em abril, o diretório estadual do PT aprovou, de forma unânime, resolução confirmando alinhamento com o projeto governista e defendendo participação na chapa majoritária.
Mesmo diante do posicionamento petista, Cícero evitou tratar o tema como definitivo e destacou que o eleitor paraibano tem demonstrado distância das disputas ideológicas nacionais. “Eu aprendi na caminhada que estou fazendo pela Paraíba que tem gente que vota no presidente do PT, outro vota no presidente da direita e outro tanto já está abusado dessa discussão de esquerda e direita. Essa é a realidade que a gente vive hoje no estado”, afirmou.
O emedebista disse considerar natural que cada eleitor faça sua escolha para presidente da República, mas reforçou que sua prioridade será discutir temas locais. “Eu quero é cuidar da Paraíba. O eleitor escolhe em quem quer votar para presidente. Eu não posso fazer diferente”, declarou.
Durante a entrevista ao programa Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan FM, Cícero também afirmou que pretende manter distância da polarização nacional durante a campanha. Segundo ele, o debate político precisa estar voltado para questões práticas da população. “Vou debater a Paraíba. Tem gente que só fala em esquerda ou direita. Eu quero discutir água na torneira, comida na mesa, saúde e dignidade para as pessoas”, disse.
Ao defender uma postura de diálogo institucional, o ex-prefeito lembrou que administrou João Pessoa em períodos dos governos dos presidentes Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando ter mantido boa relação administrativa com ambos. “Fui muito bem atendido por Bolsonaro e muito bem atendido por Lula. Porque eu apresento projetos para a cidade. Não peço nada pessoal, peço aquilo que é da responsabilidade da gestão pública”, afirmou.
Cícero aproveitou a entrevista para fazer críticas indiretas à atual administração estadual, especialmente na área social. Ele citou atrasos no programa Tá na Mesa e afirmou que políticas públicas precisam ter sensibilidade social. “É justo bater no peito e dizer que tem bilhões em caixa enquanto programas sociais enfrentam atraso? O governo precisa ter coração e se colocar no lugar de quem depende daquela refeição para comer durante o dia”, declarou.
O pré-candidato também destacou ações implantadas durante sua gestão em João Pessoa, como cozinhas comunitárias, restaurantes populares e o restaurante estudantil criado para atender alunos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Segundo ele, o modelo poderia ser ampliado para outras regiões do estado. “Eu tenho alma e tenho coração. Quando vi estudantes querendo abandonar a universidade porque estavam com fome, abrimos um restaurante popular exclusivo para os alunos da UFPB pagando um real por refeição”, disse.
Na área da saúde, Cícero afirmou que João Pessoa absorve demanda de pacientes de diversas cidades do interior, principalmente em tratamentos de câncer e hemodiálise. Ele comparou os investimentos da prefeitura com os recursos estaduais destinados ao setor. “A prefeitura de João Pessoa gasta cerca de R$ 130 milhões com tratamento de câncer. Mais da metade dos pacientes vem do interior. Isso mostra a necessidade de ampliar a estrutura de saúde em outras regiões da Paraíba”, afirmou.
Nos bastidores políticos, o apoio do PT à chapa governista ainda é acompanhado com atenção por aliados do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) pré-candidato à reeleição. O próprio Veneziano afirmou recentemente que as articulações para este ano ainda estão em andamento.
A resolução aprovada pelo PT na Paraíba reforça o alinhamento da legenda com o projeto nacional do presidente Lula e prevê participação do partido na construção do plano de governo e na composição da chapa majoritária governista. A legenda também condicionou o apoio estadual à manutenção da aliança em torno da reeleição presidencial em 2026.
Veneziano diz que nunca teve dúvidas do apoio de Lula e do PT à sua reeleição ao Senado



