O ex-ministro da Saúde e pré-candidato ao Senado, Marcelo Queiroga (PL), saiu em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL–RJ) nesta quinta-feira (28), após a repercussão dos áudios divulgados pelo portal The Intercept Brasil envolvendo negociações para financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante entrevista ao programa CBN João Pessoa, da rádio CBN Paraíba, Queiroga afirmou que não existe denúncia formal contra o senador e classificou as acusações como parte do debate político. “Qual é a corrupção identificada em relação a Flávio Bolsonaro? Qual foi a denúncia formal contra ele? Não há nada”, declarou.
A controvérsia ganhou força após a divulgação de mensagens de áudio atribuídas a Flávio Bolsonaro, nas quais o senador pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para custear a produção de uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Segundo as reportagens, Vorcaro teria concordado em investir R$ 134 milhões no projeto, com ao menos R$ 61 milhões já liberados. O empresário chegou a ser preso em 2025 durante a Operação Compliance Zero, que investigou supostas irregularidades envolvendo o sistema financeiro.
Na entrevista, Queiroga afirmou que a participação de Flávio no projeto foi indireta e atribuiu ao deputado federal Mário Frias (PL-SP) a condução da produção audiovisual. “Na realidade, como o senador Flávio explicou, isso veio em função de um filme. Quem estava mais à frente era o deputado Mário Frias. O próprio Flávio já pediu auditoria em relação a essas questões para ficar tudo esclarecido”, disse.
O ex-ministro também afirmou que Daniel Vorcaro mantinha relações com diferentes setores políticos e empresariais. “A Globo recebeu patrocínio do senhor Daniel Vorcaro. Esse cidadão patrocinava muita coisa em Brasília. Agora, os fatos mostram que há um esquema de corrupção por trás disso, e tudo precisa ser esclarecido”, declarou.
Queiroga ressaltou que figuras públicas precisam prestar esclarecimentos à sociedade, principalmente aqueles que disputam cargos majoritários. “O senador Flávio tem que dar explicações à sociedade brasileira se quiser ser presidente da República. Não só ele, mas todos nós que estamos na vida pública”, afirmou.
Questionado se o episódio pode prejudicar projetos eleitorais da direita, incluindo sua pré-candidatura e a pré-candidatura do senador Efraim Filho (PL-PB), ao Governo da Paraíba, Queiroga voltou a comparar o caso com denúncias envolvendo o PT e o governo Lula. “A gente tem hoje um presidente da República que foi condenado em diversas instâncias e acabou sendo descondenado. Também há denúncias envolvendo pessoas próximas ao governo no caso do INSS. Então, ninguém pode posar como referência moral”, disse.
Apesar da crise, Queiroga reforçou apoio político a Flávio Bolsonaro e elogiou o senador ao comentar a viagem recente do parlamentar aos Estados Unidos (EUA), onde participou de agendas próximas ao ex-presidente Donald Trump. “Flávio Bolsonaro tem postura de estadista. É um político jovem, mas experiente. Eu acredito nele e entendo que ele tem boas propostas para o Brasil”, afirmou.
A viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA ocorreu em meio à repercussão do caso envolvendo Daniel Vorcaro. Aliados do senador avaliam que a agenda internacional buscou reforçar sua imagem política e afastar o foco das investigações e das suspeitas relacionadas ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
Até a divulgação dos áudios, Flávio negava ter relação com o banqueiro. Após a publicação do material, passou a admitir encontros e afirmou que conheceu Vorcaro em 2024, antes do avanço das investigações contra o empresário.
Segundo o deputado Mário Frias, responsável pela produção do filme, a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ocorreu por intermédio do publicitário Thiago Miranda, apontado como articulador do aporte financeiro ao projeto audiovisual.



