Vereador de João Pessoa, Carlão Pelo Bem (PL), durante sessão na Câmara Municipal.

O vereador de João Pessoa, Carlão Pelo Bem (PL), afirmou nesta quinta-feira (14) que vai se posicionar contra a anulação do título de cidadão pessoense concedido ao senador Flávio Bolsonaro (PLRJ), após a repercussão de denúncias envolvendo supostas negociações financeiras ligadas ao Banco Master.

Em entrevista à imprensa, o parlamentar avaliou que o caso está sendo explorado politicamente e disse que a situação precisa ser esclarecida, mas sem precipitações por parte do Legislativo municipal. Carlão também criticou setores da esquerda ao comentar a iniciativa do vereador Marcos Henriques (PT), que defendeu a retirada da homenagem.

“É, mais uma vez a esquerda tenta pegar um fato político, e esse fato político precisa ser explicado, precisa ser aprofundado. Mas financiamento buscar financiamento em banco privado não é crime. Não era uma tentativa de se locupletar com Lei Rouanet, como faz a esquerda. Não era uma tentativa de buscar financiamento público, como faz a esquerda e muitas vezes coloca no bolso e vai embora. Na realidade, foi a busca de um filho que queria fazer um filme para um pai e buscou financiamento privado. Aí existia contrato sobre isso, não existia nenhum sigilo. E, no final das contas, era pedir para que esse financiamento acontecesse. O vereador Marcos Henrique simplesmente aproveita-se de um fato legal para justificar as corrupções, malvadezas e irregularidades que o PT faz”, disse durante entrevista ao programa Correio Debate, da rádio Correio 98 FM.

O vereador reforçou ainda que, apesar das críticas, considera necessário que o episódio seja esclarecido. “Não, não achei legal. Na realidade, o que merece é explicação, como eu lhe disse. Mas dentro de um âmbito de estudo e criminalidade, não é crime uma pessoa pedir financiamento privado”, completou.

Em março deste ano, a Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) aprovou o Projeto de Decreto Legislativo que concedeu o título de cidadão pessoense ao senador Flávio Bolsonaro. A proposta foi de autoria do vereador Fábio Lopes (PL) e destacou a atuação do parlamentar no Congresso Nacional e sua defesa de pautas conservadoras.

A manifestação acontece após reportagem publicada pelo site Intercept revelar mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro em negociação com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a publicação, o senador teria tratado diretamente de repasses para financiar a produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

De acordo com a reportagem, a negociação envolveria cerca de US$ 24 milhões, valor que corresponderia, à época, a aproximadamente R$ 134 milhões. O material divulgado inclui mensagens de WhatsApp, planilhas de pagamentos e comprovantes bancários relacionados ao projeto audiovisual.

Ainda conforme o conteúdo publicado, parte dos recursos teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025. Em um dos áudios citados, Flávio Bolsonaro cobra a continuidade dos pagamentos, alegando risco de paralisação da produção do filme.

O senador confirmou o envio do áudio, mas negou qualquer irregularidade nas tratativas. Até o momento, não há decisão judicial relacionada ao caso.

Nos bastidores da política nacional, o episódio ampliou a repercussão em torno do nome de Flávio Bolsonaro, apontado por setores do PL como possível pré-candidato à Presidência da República nas eleições de4 de outubro.

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