Alcolumbre, Lula, Nunes Marques, Fachin e Motta no TSE - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

A cerimônia de posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), realizada nesta terça-feira (12), em Brasília, foi marcada por um gesto discreto que chamou atenção no plenário: um pedido de salva de palmas ao advogado-geral da União, Jorge Messias, seguido da ausência de aplausos por parte de algumas autoridades presentes.

Durante o evento, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, mencionou Messias em seu discurso ao cumprimentar integrantes da advocacia. Na sequência, houve uma pausa tradicional para aplausos no plenário.

A manifestação, porém, não foi unânime. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não participou da salva de palmas. A mesma postura foi adotada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (RepublicanosPB), e pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.

O episódio ocorreu duas semanas após o Senado ter rejeitado a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF. A votação, realizada de forma secreta, terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis, sendo a primeira vez desde 1894 que o Senado barra um nome indicado pelo presidente da República para a Corte.

Messias esteve presente na cerimônia e acompanhou a solenidade no plenário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participou do evento e chegou a bater palmas brevemente durante a homenagem.

Alcolumbre e Lula se sentaram lado a lado ao longo da cerimônia, mas não houve registro de diálogo entre os dois durante o evento. Esta foi a primeira aparição pública conjunta após a votação no Senado. O ministro Nunes Marques ficou posicionado em outro ponto do plenário.

Nos bastidores, a indicação de Messias ao STF foi alvo de articulações políticas no Senado. Alcolumbre defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga, enquanto o governo federal sustentava a indicação do atual advogado-geral da União.

Após a derrota, Jorge Messias relatou a interlocutores que houve articulações envolvendo diferentes atores políticos e jurídicos durante o processo de votação. A indicação rejeitada também abriu uma nova fase de negociações políticas entre o Planalto e o Congresso Nacional.

A cerimônia no TSE, embora institucional, acabou sendo marcada por sinais de distanciamento político entre autoridades presentes e pelo contexto recente da disputa em torno da vaga no Supremo Tribunal Federal.

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