Efraim Filho agora está no PL. Está no chamado QG ‘bolsonarista’ e, com as bênçãos do “Messias”, pode dizer que é mais direita do que nunca. Resta saber se o retrovisor político não vai lembrá-lo de que, em outros momentos, já caminhou por outras pistas ideológicas. Foi candidato a vice-prefeito de João Pessoa na chapa encabeçada por Estela Bezerra, em 2012, e também passou mais de uma década na base de dois governadores ligados à esquerda. Política também é memória.

O combustível desse foguete, segundo o próprio discurso, vem da . Num pronunciamento emocionado, Efraim deixou claro que a escolha pelo PL não foi de última hora. Foi uma construção. Um processo de aproximação gradual com um grupo com o qual já havia sinais de alinhamento político, até chegar à decisão de assumir de vez o rumo.

Na prática, o que Efraim faz é ocupar um espaço. A direita na Paraíba buscava um nome competitivo e ele se apresentou como esse personagem. Com o respaldo de Flávio Bolsonaro, passa a ter um padrinho nacional e um discurso mais definido.

Enquanto isso, no outro campo, o cenário ainda é de dúvida. Lucas Ribeiro e Cícero Lucena travam uma disputa silenciosa pelo mesmo ativo político: o apoio do presidente Lula. A pergunta que começa a circular é direta: esse apoio garante mesmo voto? E enquanto disputam a atenção do eleitorado ‘lulista‘, Efraim avança pelas beiradas, tentando atrair o centro e consolidar os votos da direita e da extrema direita.

Porque na política o apoio nacional ajuda, mas nunca substitui a força local. Transferência de voto não é automática e, muitas vezes, o que pesa mesmo é a construção política dentro do estado.

Efraim já escolheu o lado e, mais do que isso, escolheu um caminho claro. Em um cenário onde muitos ainda calculam riscos, ele decidiu se posicionar. Pode até ser cedo para prever o tamanho desse voo, mas uma coisa é certa: quem define estratégia com antecedência larga com vantagem.

Se o foguete vai decolar, as urnas vão dizer. Mas, pelo menos por enquanto, Efraim mostra que já tem direção, base política e um campo ideológico pronto para impulsionar esse projeto. E em eleição, começar com rumo definido já é metade do caminho.