Romero Rodrigues e sua guerrilha midiática – Por Eliabe Castor

Por Eliabe Castor - 13/02/2024

A arriscada arte da guerrilha midiática. Assim posso descrever a tática empregada no campo de batalha que o deputado federal Romero Rodrigues (Podemos) vem exercendo com destreza, sabendo ele que deve ter cuidado absoluto para não irritar grupos políticos que estão no seu entorno e, assim, evitar que uma mina de efeito retardado exploda em suas mãos.

Ao mesmo tempo que o parlamentar não define sua postulação à Prefeitura de Campina Grande, pondo o chefe do Executivo campinense, Bruno Cunha Lima (União Brasil) em situação de indefinição, tal “fenômeno” acontece, também, na caserna do grupo das oposições fincado na Rainha da Borborema, cuja chave do paiol é guardada com esmero pelo governador João Azevêdo (PSB).

Ontem, em situação quase profética, o deputado, que já foi prefeito da outrora Vila Nova da Rainha, postou em suas redes sociais uma espécie de beato Salu, figura messiânica inserida na telenovela Roque Santeiro, em “harmonia” com Grigori Rasputin, o “monge louco” que conquistou a família imperial russa dos Romanov.  Ambos eram “videntes”, ou quase isso.

A figura enigmática postada por Rodrigues suplicava ao vento que o parlamentar deveria retornar à Prefeitura de Campina Grande. Algo com dramaticidade acentuada, certa penumbra de mistério, comoção e apelo visual.

Fato é que Romero Rodrigues, em seu tapete voador, tem em suas mãos uma lâmpada mágica com um gênio aprisionado. O parlamentar pode realizar quatro desejos. Enfrentar as urnas campinenses no pleito vindouro, manter-se como deputado federal, ou decidir se buscará o Palácio da Redenção, havendo, também,  a possibilidade do brilho mágico que o Senado oferece, estando as duas últimas guardadas para 2026.

A decisão de Rodrigues não é fácil, pois, caso esfregue com força demasiada a lâmpada que está em suas mãos, o gênio poderá despertar do seu sono milenar com mal humor. Porém, caso afague com a nobreza e sensibilidade dos elfos, o Aladim não despertará, deixando o parlamentar em situação delicada.

É preciso tato no tato de Rodrigues para tomar a decisão mais acertada, daí optar pela guerrilha midiática, estando ele sempre presente no campo de batalha da notícia e dos grupos políticos de situação e oposição.

Mas tal indefinição já começa a ficar enfadonha. Diria até que está pra lá de Marrakesh!