Quem pode cobrar um preço pelo silêncio dos Feliciano?

Por Fonte83 - 17/02/2021

A notícia de que o deputado federal Damião Feliciano foi diagnosticado com covid-19 não é nova. Já na eleição da Mesa Diretora da Câmara Federal sua ausência foi notada e a informação confirmada.

Mas, de segunda-feira (15) para cá a novidade de que ele está em uma UTI de um hospital particular de São Paulo assustou os paraibanos, ainda enlutados com a morte do senador José Maranhão, do deputado estadual João Henrique, do médico Fernando Ramalho, e de tantos outros nomes conhecidos, sem falar nos mais de 4 mil mortos anônimos no estado.

Em meio ao pânico causado pela doença e percebendo que ele não escolhe vítimas e chega a todos, o ato de silêncio da família Feliciano chamou atenção e abriu espaço para mil e uma especulações.

Há os responsáveis e éticos que preferem somente questionar o silêncio e há, infelizmente, os irresponsáveis e antiéticos que fazem questão de criar fatos e espalhar fake news de todo o tipo, agarrados na desculpa de que a falta de notícia oficial leva a isso.

A questão é que Damião e sua esposa, a vice-governadora Lígia Feliciano, também infectada pelo novo Coronavírus, segundo as informações que circulam, são pessoas públicas e a exigência sobre a divulgação de uma nota oficial que seja a respeito de seu estado de saúde é latente.

Eu mesma só faltei ligar para o Papa na tentativa de conseguir o feito de ter uma informação oficial da família. Mas nenhuma ligação foi atendida e nenhuma mensagem respondida. O Hospital, por sua vez, não teve a autorização para responder minhas perguntas.

Agora, vamos para o outro lado da questão!

Sim, é impossível negar que os Feliciano precisam se pronunciar urgentemente, até para acabar com as fake news que estão sendo espalhadas. Depois, para falar a seus eleitores apreensivos, amigos não tão chegados que não têm intimidade de falar diretamente com a família.

Dar uma satisfação a todo um povo é o preço que se paga por ser uma pessoa pública.

Mas, para além disso, quem pode cobrar um preço pelo silêncio dos Feliciano?

Eles não são apenas pessoas públicas. São seres humanos normais como qualquer um de nós que, em se confirmando tudo o que vem sendo divulgado, devem estar em pânico, muito mais, obviamente, do que qualquer um de nós.

Atordoados, talvez ainda sequer se deram conta da importância de um pronunciamento.

Eu, como jornalista, também quero uma informação oficial.

Entretanto, enquanto ser humano não posso e nem devo julgar ou me dar ao direito de ficar escrevendo bobagens com especulações a respeito do estado de saúde do parlamentar e nem da vice-governadora, porque, como disse acima, seria irresponsável, antiético e desrespeitoso de minha parte.