Prós e Contras fala das peças que se movem no xadrez da eleição presidencial com a vitória de Doria nas prévias do PSDB

Por Fonte83 - 29/11/2021

O governador de São Paulo,  João Doria,  foi o vencedor das prévias do PSDB, que o escolheu candidato do partido para a eleição presidencial de 2022. O Prós e Contras de hoje é sobre as chances de Dória.

Pró
João Doria é governador do estado mais rico e populoso do Brasil. Isso significa base eleitoral, capacidade para mobilizar apoio e recursos para a campanha e, em caso de ter realizado uma boa administração (será o caso?), o governador paulista terá uma imensa vitrine para apresentar ao eleitorado do restante do país.

Contra
Apesar do rompimento político, João Doria deve sua eleição, em parte, à aliança feita com Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição paulista de 2018. Em aliança com o à época candidato a presidente, Doria conseguiu reverter a tendência de derrota para Márcio França, do PSB, com uma dobradinha que foi popularizada na campanha como Bolso-Dória. Em 2022, escondido pela defesa da CoronaVac, Dória tenta fazer o povo esquecer quem ele realmente é.

Pró
Quando a eleição de 2022 acontecer, o Brasil ainda estará lidando com a pandemia de coronavírus, um pesadelo para Jair Bolsonaro. João Doria apostou todas as suas fichas na vacina.

Contra
A Coronavac foi desenvolvida pelo Butantã, que é um centro de pesquisas especializado em vacinas do governo de São Paulo. Isso significa que, como órgão público, o Butantã trabalharia no desenvolvimento de uma vacina com ou sem Doria no governo. Além disso, no começo do governo, Doria anunciou a o intenção de privatizar o Butantã. Como se fosse pouco, ficou patente o uso político da Coronavac por Dória e o eleitor parece ter percebido. Isso talvez explique, além da medíocre administração que faz no governo de São Paulo, os índices irrisórios de Dória nas pesquisas eleitorais.

Pró
João Doria é do PSDB, mantém proximidade com o MDB (Henrique Meirelles, candidato a presidente do partido na última eleição, é secretário do seu governo). Além disso, tem muita proximidade com Sérgio Moro, que já convidou para ser seu secretário. Dória tem boas relações com a chamada Faria Lima, a rua paulistana onde os grandes bancos mantêm suas sedes. Ou seja, Dória luta para ser o candidato único da direita “democrática” e do que Ciro Gomes chama de “baronato financista”.

Contra
O PSDB saiu mais dividido das prévias vencidas por Dória. Importantes lideranças do partido ainda resistem em apoiá-lo. Com Dória candidato, o PSDB, que ainda se diz “social-democrata”, pode abandonar de vez o perfil centrista para abraçar os laços com um eleitorado que, só nas circunstâncias especiais de 2018, foi majoritário no Brasil. Além disso, para falar a esse eleitor, já tem candidatos como Moro e Bolsonaro.