O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), poderá ter participação direta na escolha de ministros do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A possibilidade faz parte das articulações para a formação da nova Esplanada dos Ministérios e pode ampliar a influência do parlamentar paraibano no Governo Federal. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (6), pela CNN Brasil, em reportagem da jornalista Tainá Falcão, com análise da comentarista política Isabel Mega.
Segundo a apuração, Lula pretende negociar diretamente com Hugo Motta e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), espaços no governo que ultrapassem as indicações formalmente destinadas aos partidos. O presidente, inclusive, convidou os dois dirigentes para acompanhá-lo em uma viagem à Turquia e às Filipinas, prevista para a próxima semana. Até a divulgação da reportagem, ambos ainda não haviam confirmado presença.
A movimentação faz parte de uma nova estratégia do Planalto para evitar que partidos ocupem ministérios sem garantir apoio às propostas do governo no Congresso. Lula pretende vincular a distribuição dos cargos ao compromisso de votos nas duas Casas legislativas. A intenção é corrigir dificuldades enfrentadas no atual mandato, quando legendas com representantes na Esplanada também participaram de derrotas do governo em votações importantes.
Na análise apresentada por Isabel Mega, Hugo Motta aparece em posição estratégica nas negociações, especialmente diante das articulações para sua recondução à presidência da Câmara. A jornalista também revelou que o nome do ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Hugo Motta, circula nos bastidores como uma possível opção para ocupar um ministério. A hipótese, entretanto, foi apresentada como conjectura, sem confirmação oficial.
De acordo com Tainá Falcão, uma das propostas em discussão prevê dois ministérios para cada partido de centro, sem contar os espaços destinados a indicações pessoais de Lula e as escolhas que poderão ser feitas diretamente por Motta e Alcolumbre. O governo também trabalha para mapear quantos votos cada legenda poderá entregar na Câmara e no Senado Federal. A negociação envolve não apenas a distribuição de cargos, mas a construção de uma base parlamentar capaz de sustentar a agenda presidencial a partir de 2027.
Hugo Motta se reúne com Lula e Alcolumbre e defende harmonia entre os Poderes após reeleição




