O caminho é de pedra, mas ainda podemos sonhar

Por Fonte83 - 31/12/2020

Neste último dia do ano mais importante do século para a humanidade eu me atrevo a parafrasear Milton Nascimento e dizer: “O caminho é de pedra, mas ainda podemos sonhar”.

Tropeçamos, caímos, choramos, perdemos. Nos despedimos o ano inteiro de amigos e familiares. Alguns partiram, ao nosso ver mundano, antecipadamente. Foram vítimas da pandemia, do câncer, da negligência.

É impossível contabilizar o tanto de pedras as quais tivemos que desviar nessa travessia chamada 2020.

Em alguns momentos perdemos a fé, a esperança. Nos desiludimos, desanimamos, cansamos.

E não poderia ser diferente. Até ontem foram 193.940 mortes no Brasil inteiro somente por covid-19, sem contar os tantos outros milhares de irmãos que perdemos por outros motivos.

Desejamos dormir e só acordar quando tudo tivesse resolvido. Não foi possível. Tivemos que encarar a realidade.

Enfrentamos, apesar dessa mistura de sentimentos, o caos de frente e, de uma forma ou de outra, somos sim vitoriosos.

Perdemos os sonhos em 2020? Talvez! Afinal, somos humanos. E isso tudo é ser humano, como canta Zeca Pagodinho.

A chegada de um novo ano, mais do que nunca, deve colocar em nós de volta tudo que por alguns instantes perdemos e que já foi citado acima neste texto.

Esperamos com fé, confiança e coragem… principalmente coragem… podermos voltar a nos abraçar. Enxugar nossas lágrimas com a certeza que a morte não existe.

Como disse Santo Agostinho: “A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo. Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador”.

Para todos aqueles que infelizmente não passaram ilesos neste ano e terminam 2020 em meio a lágrimas, fica aqui expresso o meu mais sincero sentimento de empatia e a minha singela homenagem aos que vocês perderam.

Lembrem-se: eles apenas passaram para o outro lado do caminho, portanto, continuam existindo.