O vereador de João Pessoa, Marcos Henriques (PT) comentou, nesta sexta-feira (24), em entrevista ao Portal Fonte83, a decisão da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, de permanecer neutra no primeiro turno da disputa presidencial. Para o parlamentar, a medida permite que prefeitos, deputados e demais lideranças possam declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sem sofrer pressões dentro das legendas.
A posição do vereador ocorre após a confirmação de que o governo federal atuou junto aos dirigentes da federação para evitar uma aliança com o pré-candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência, Flávio Bolsonaro. A articulação foi conduzida pelo ministro da Articulação Política, José Guimarães, pelo presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, e também contou com conversas diretas do presidente Lula com lideranças das duas siglas, buscando preservar a independência da federação na eleição.
Na avaliação de Marcos Henriques, o cenário político brasileiro apresenta características regionais que justificam a liberdade de posicionamento dos filiados. Segundo ele, diversos prefeitos, parlamentares e lideranças do PP e do União Brasil demonstram simpatia pela candidatura de Lula, principalmente no Nordeste. “Existe, em todo o Brasil, muitas especificidades que colocam o presidente Lula na frente. Acho prudente que os partidos liberem seus prefeitos e deputados para manifestarem seu apoio, sem que haja qualquer tipo de represália”, afirmou para a reportagem do Portal Fonte83.
O vereador também destacou que a força eleitoral do presidente na região nordestina reforça a importância da neutralidade da federação. “No Nordeste, por exemplo, o presidente Lula tem aproximadamente 60% dos votos. Isso seria bom tanto para os parlamentares que são simpáticos à candidatura quanto para a própria campanha do presidente, que estaria mais pulverizada pelo país”, declarou.
Por fim, Marcos Henriques afirmou que a ausência de apoio formal da União Progressista ao principal adversário de Lula também produz efeitos estratégicos na campanha presidencial. “Logicamente, o tempo de TV não indo para a oposição é algo importante também, a gente não pode deixar de falar nisso. Então essa é a minha opinião”, concluiu o parlamentar ao analisar os bastidores da articulação política nacional.




