O deputado estadual Walber Virgolino (PL) voltou suas baterias contra o Supremo Tribunal Federal (STF) após a manutenção da prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), confirmada nesta segunda-feira (24) pela Primeira Turma da Corte. Em entrevista ao portal Fonte83, o parlamentar classificou a decisão como “aberração jurídica” e disse haver um “complô” para retirar Bolsonaro do cenário eleitoral.
Walber afirmou que a prisão já era esperada, inclusive pelo próprio ex-presidente, e acusou o STF e partidos de esquerda de atuarem para impedir o retorno de Bolsonaro à disputa nacional. Para ele, o monitoramento imposto ao ex-presidente, com vigilância contínua, policiais no entorno e drones sobrevoando a residência, já configuraria privação plena de liberdade antes mesmo da decisão de sábado.
Segundo o deputado, não houve rompimento da tornozeleira eletrônica e, mesmo que tivesse ocorrido, Bolsonaro teria “direito” diante do estado de saúde debilitado. A manutenção da preventiva, em sua avaliação, representa “afronta à democracia” e demonstra que “quem manda no Brasil é Alexandre de Moraes”. Walber ainda afirmou que o ministro “perdeu a noção do que é legal e ilegal” e pode atingir qualquer espectro político.
A reação de Walber se soma às declarações de outras lideranças do PL paraibano. O deputado federal Cabo Gilberto Silva classificou o momento como “ditadura do Judiciário”, e o presidente estadual do partido, Marcelo Queiroga, também já havia se posicionado contra a decisão do STF, reforçando o discurso de que Bolsonaro seria alvo de perseguição.
STF aponta risco de fuga e descumprimento de medidas
A ofensiva política ocorre em meio ao avanço do processo da chamada trama golpista. Bolsonaro foi preso no sábado (22) por ordem do ministro Alexandre de Moraes, que identificou risco de fuga e ameaça à ordem pública. No dia anterior, o ex-presidente tentou violar a tornozeleira eletrônica, e uma vigília articulada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL–RJ), foi interpretada pela Corte como possível suporte para uma fuga.
A Primeira Turma confirmou por unanimidade a decisão de Moraes. A prisão preventiva permanece enquanto subsistirem os elementos que a justificaram, risco de fuga, possível obstrução e descumprimento de medidas judiciais. Pela legislação, a medida é reavaliada a cada 90 dias.
Com o processo em fase final de recursos, o Brasil entra numa zona política ainda mais turbulenta, e a direita intensifica a narrativa de perseguição no momento em que a execução da pena de Bolsonaro se aproxima.
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