Nossa culpa, nossa máxima culpa

Por Fonte83 - 23/02/2021

Não tem como dourar a pílula:

A responsabilidade pelo crescimento da contaminação do Coronavírus é nossa, toda nossa.

O vírus matou qualquer ilusão de que somos seres talhados para viver coletivamente.

Não somos.

E o resultado mais visível de nossa incapacidade de agir com cidadania está nos portões dos cemitérios e unidades de terapia intensiva.

De que não podíamos abrir mão?

De correr na calçadinha da praia?

Do almoço de domingo no shopping?

Do banho de mar?

Sim, o Brasil de Bolsonaro emitiu sinais trocados e nos desafiou a deixar de ser maricas e enfrentar o vírus de peito aberto.

Mas ninguém é obrigado a subir no bonde da insanidade.

Qualquer um com dois neurônios funcionais é capaz de enxergar a mediocridade do homem que nos lidera.

Ele apenas deu sinal verde para a livre manifestação do egoísmo nosso de cada dia.

Legitimou nossa incapacidade de pensar e agir como seres coletivos.

Ai vem a pergunta que nunca calou desde a chegada do Coronavírus, impondo restrições:

Ah, mas vamos morrer de fome?

Não vamos trabalhar?

Mais questões recorrentes nessa pandemia sem previsão de fim:

É justo ficar em casa se o gari não pode ficar?

Se a polícia não pode deixar de circular?

Se o médico não pode deixar de atender?

É justíssimo – inclusive com eles.

Quanto menos pessoas circularem, menos o vírus circula.

Ficar em casa – se você pode ficar – é um gesto de proteção não só para si e para os seus.

É para toda a coletividade.

Portanto, agora é o seguinte (mais uma vez evitando dourar a pílula):

Ou agimos diferente agora ou nos encontraremos em breve no leito mais próximo – se houver disponibilidade.

Por nossa culpa, nossa máxima culpa, o placar de hoje sinaliza que vírus venceu.