Julian x Bolsonaro: quando bate o remorso

Por Fonte83 - 01/06/2021

Quem acompanha mesmo que a distância o posicionamento de deputado federal Julian Lemos, sabe que ele é daqueles que dá um boi para não entrar numa briga, e uma boiada para não sair dela. E foi assim que se deu o rompimento entre o presidente Jair Bolsonaro e o parlamentar paraibano.

Não sei se Jair, como Julian gosta de chamá-lo, tem remorso, eu mesmo acredito que não. Ao pedir a cabeça de seu fiel escudeiro até a transição do seu governo, deve passar um filme na cabeça do hoje presidente da República. Filmes esses que mesmo que ele tente apagar da memória são impossíveis de apagá-los.

Julian era tido como doido, ao defender o nome de Jair para presidente. Era ridicularizado na mídia, inclusive por mim. Na época, de verdade, era uma utopia e insanidade achar que o Capitão chegasse à presidência de República. Para Julian não. Esse sonho era real, mesmo que ele sonhasse sozinho.

E foi assim, desde quando Jair tinha 2% nas pesquisas, Julian estava ao seu lado, e não apenas como amigo, mas também colocando sua pequena estrutura financeira para custear as andanças do hoje presidente do Brasil. E foi assim, ponto a ponto, que Jair crescia nas pesquisas que Julian já começou a ser visto no Brasil inteiro como um cara de visão política. Risos, de doido para analista.

A relação de Julian com Jair era como dois irmãos, sem segredos ou atravessadores. Quer entender o que digo comprem e leiam o livro que narra os bastidores da eleição do Capitão a presidente, Tormenta, da jornalista Thaís Oyama, que conta as crises, intrigas e segredos da eleição. Só lendo esse livro você entenderá o tamanho do paraibano no processo.

Mas vamos a resposta que vale um milhão de reais, assim como aquele que pergunta: quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Quem traiu foi Jair a Julian ou Julian a Jair?

Diversas vezes o então candidato Jair Bolsonaro, contaria centena de vezes, tratou Julian Lemos como o seu coordenador geral no Nordeste. Julian se tornou para Bolsonaro o 06, assim como ele costuma chamar os filhos. Daí veio toda ira, raiva e ciúmes, que de macho não tem coisa pior, de alguns dos filhos de Bolsonaro.

Quem começou essa briga, nem de longe foi o parlamentar paraibano, lembro-me como se hoje fosse, a twittada do vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, desmentindo inclusive o pai e querendo diminuir o tamanho e importância de Julian Lemos na eleição do seu pai.

A twittada dizia mais ou menos assim: Tem um deputado se intitulando coordenador da campanha no Nordeste. Julian Lemos jamais foi coordenador da campanha do meu pai. Ora, quem lhe deu esse título não foi Julian a si mesmo e sim o Presidente eleito. Quem tentou desmoralizar publicamente o parlamentar paraibano foram os filhos do presidente, que achavam que Julian se recolheria por eles serem filho do presidente.

O grande “defeito” de Julian foi usar o nome estampado na bandeira paraibana, o famoso Nego. Julian cometeu um pecado crucial na suja política brasileira: Julian teve coragem de gritar: Ao rei tudo, menos a honra.

Mas toda essa postura firme de Julian diante desses fatos narrados acima, chamou a atenção do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, que dá o verdadeiro valor que Julian tem como parlamentar, como integrante do partido e como cidadão.