Nem o VAR conseguiria apontar quem joga pior em relação a articulação política – tanto o governador João Azevêdo quanto seu antecessor, Ricardo Coutinho, se notabilizam pela convivência dificílima com os agentes da política paraibana.
Um pelo trato truculento. O outro pela ausência.
Mas, diferente do atual governador, Ricardo tem uma senhora vantagem: uma militância que lhe dava escudo contra seus desafetos.
Esse elo João nunca teve nem tem mais tempo hábil para fabricar até a abertura das urnas.
Outra diferença?
Ricardo também tinha obras (muitas obras) para mostrar, espalhadas por todo o Estado.
O desastre político era recompensado pela máquina bem azeitada. Criando, com as obras, uma linha direta entre o governador e o povo.
Só lá em nós (minha querida Cajazeiras), a gestão anterior construiu o Teatro Municipal, Cidade Madura, estrada do Amor, Escola Técnica Estadual, arquibancadas do estádio Perpetão, UPA, nova sedendo Detran, Casa da Criança e a adutora que resolveu o problema da falta dágua na zona norte.
Uma cena que se repetiu nos principais municípios paraibanos.
Ações que “amoleceram” o coração do povo nas eleições 2014.
João, porém, não tem nada para amolecer os eleitores.
Pinço mais uma vez Cajazeiras, que ilustra a paralisia em curso: a autorização para asfaltar a estrada que liga o Boqueirão à BR 230 foi assinada desde o início da sua gestão, a tinta secou faz tempo e as máquinas seguem paradas.
Só em um ponto – e só nesse mesmo – João leva vantagem em relação a Ricardo:
Seu governo não foi sacudido por denúncias de corrupção, que tanto mancham a biografia do Mago.
Até prova em contrário, João não rouba nem deixa roubar.
E – mesmo que isso não seja pouca coisa -, as diferenças conjunturais entre a bem sucedida reeleição de Ricardo e a ameaçada reeleição de João são gritantes – com clara vantagem para o ex-governador.
Ricardo, por exemplo, só tinha a obrigação de chegar ao segundo turno.
João, depois de tanto alimentar o sentimento de já ganhou, tem a obrigação de vencer no primeiro.
Mas o segundo turno dificilmente será evitado com as candidaturas postas de Veneziano Vital, Pedro Cunha Lima e Nilvan Ferreira.
Quer mais um ingrediente nesse caldeirão que cozinha as chances de reeleição de João?
Dificilmente ele repetirá as performances de Ricardo nos debates. E encontrará pela frente opositores articulados e preparados para mostrar que o governo João ficou devendo (e muito) a Paraíba.