Eu defendo, apoio e torço pela enfermagem

Por Fonte83 - 02/06/2022

Foram dias difíceis. No dia em que ela me ligou dizendo que estava no hospital com diagnóstico de covid-19, todo o meu corpo paralisou. Tentei disfarçar e disse que tudo ia ficar bem, mas a única coisa que eu conseguia sentir era o meu coração acelerado que faltava saltar para fora do meu peito.

Minha irmã Genilda, técnica em enfermagem, encarou a linha de frente da pandemia, junto com outros tantos milhares de auxiliares de enfermagem e enfermeiros graduados.

‘Dona’ de algumas comorbidades, ela foi para mim e nossa família o exemplo real do que foi viver isolada, sem ver os filhos, os pais, os irmãos. E eu, espírita que sou e que tenho a certeza que a morte não existe, senti um medo horrendo da separação que poderia ter vindo a acontecer, como aconteceu com tantos que desencarnaram deixando, mesmo que momentaneamente, aqueles que mais amam.

Se ela está bem? Nem tanto! E, acredito eu, que nenhum dos profissionais da enfermagem e da medicina que encararam a pandemia podem dizer que estão totalmente bem, mesmo com o Coronavírus perdendo sua força, graças a Deus e as vacinas. 

As sequelas psicológicas são gigantes e gritantes.

Mas, hoje, dia 2 de junho de 2022, ao menos eles têm algo a comemorar. 

Foi aprovada pelo Plenário do Senado, em primeiro e segundo turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 11/2022) que visa dar segurança jurídica ao piso salarial nacional de enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e parteiras. O texto segue para a Câmara dos Deputados.

É o mínimo de reconhecimento que pode ser dado a todos esses homens e mulheres que são verdadeiros heróis da nossa pátria. Que a lei seja sancionada e, principalmente, que os prefeitos tenham a sensibilidade de cumprir essa lei sem contestar, já que muitas das verbas destinadas ao reconhecimento dos enfermeiros durante a pandemia sequer chegou a eles.