Do mesmo autor de Prós e Contras: O Sertão só serve para votar?

Por Fonte83 - 19/11/2021

Segundo o IBGE, 56,4% do PIB paraibano está concentrado em apenas 5 municípios. João Pessoa (31,5%), Campina (14,7%) Cabedelo (4,2%), Santa Rita (3,7%) e Patos (2,6%).
João Pessoa e Campina concentram, sozinhas, quase metade de toda riqueza produzida na Paraíba. Dos 5 municípios, só Patos está localizado no Sertão paraibano.

Para essa concentração econômica convergem empregos, investimentos públicos e privados e população.

A concentração de poder econômico tem resultado em concentração de poder político. Desde que Wilson Braga foi eleito governador, em 1982, nenhum sertanejo repetiu o feito.

A exceção foi Mariz, que era sousense, mas tinha uma forte atuação em João Pessoa, tanto que, em 1982, perdeu a eleição para governador em Sousa e ganhou na capital.

Nesses últimos quase 40 anos, a Paraíba elegeu sete governadores. Quatro deles tinham atuação em João Pessoa (Burity, Mariz, Ricardo e João Azevêdo) e dois em Campina Grande (Ronaldo e Cássio).

Aliás, depois de Cássio (2009), Campina tem se especializado mesmo é em fornecer candidatos a vice-governador. Rômulo Gouveia foi vice de Ricardo, em 2010, e Lygia Feliciano, de Ricardo, em 2014, e João Azevedo, em 2018, mas isso é assunto para depois.

A pergunta que não quer calar é essa: por que nas últimas quatro décadas nenhum político sertanejo foi capaz de se tornar uma liderança estadual capaz de concorrer ao governo, ou mesmo ao cargo de vice (nesse caso, o último foi Zé Lacerda, por duas vezes vice de Cássio)?

Ou o Sertão só entra nessa festa para votar?