Foto: Nilania Santos

Pela terceira vez consecutiva, o Campeonato Paraibano terá uma final entre Botafogo-PB e Sousa. O Dinossauro levou a melhor em 2024 e 2025, ambos os títulos decididos no Almeidão. Como nos outros anos, o primeiro jogo será no Marizão e a volta em João Pessoa — cenário que pode novamente consagrar o Dino, desta vez com um histórico tricampeonato consecutivo sobre o Belo.

O cenário de 2026, porém, começou bem diferente do que se viu na temporada passada.

O Sousa iniciou o ano cercado de desconfianças após uma grande reformulação no elenco bicampeão estadual. Nomes importantes como Ian Augusto, Diego Ceará, Bruno Fuso e Uesles Moura deixaram o clube rumo ao Serra Branca, movimentação que gerou turbulência nos bastidores do futebol paraibano.

Para piorar, a poucos dias do início do campeonato, o técnico Leandro Campos pediu demissão faltando apenas dez dias para a estreia do time contra o Confiança de Sapé. Em seu lugar chegou um nome pouco conhecido do torcedor paraibano: Alessandro Telles, jovem treinador gaúcho com bons trabalhos no futebol do Rio Grande do Sul, mas sem experiência no Nordeste.

E os problemas não pararam por aí.

No meio do campeonato estadual, o Sousa perdeu seu principal jogador. O atacante Luiz Henrique sofreu uma fratura na clavícula direita durante um treino, justamente antes de um confronto direto pelo G4 contra o Nacional de Patos.

Mesmo diante de tantos obstáculos, o Dino mostrou mais uma vez sua força.

Sob o comando do carismático presidente Aldeone Abrantes, o Sousa garantiu sua sétima classificação consecutiva para a semifinal do Paraibano. Na Copa do Brasil, foi até a região metropolitana do Recife enfrentar o tradicional Santa Cruz. Após empate no tempo regulamentar, o Dinossauro avançou nos pênaltis com grande atuação do goleiro Moisés, contratado justamente para substituir o ex-capitão Bruno Fuso.

Na semifinal do estadual, após perder o primeiro jogo no Marizão, o Sousa foi até o Amigão, em Campina Grande, e anulou completamente o favorito Campinense, vencendo por 1×0. A decisão novamente foi para os pênaltis — e novamente brilhou a estrela de Moisés.

Provocador, seguro e decisivo, o goleiro foi peça-chave para colocar o Dino na sua quarta final consecutiva de Campeonato Paraibano.

Se dentro de campo o Sousa mostra força, fora dele existe um grande adversário: o calendário.

No dia seguinte à publicação desta coluna, o clube sertanejo enfrenta o CRB, pela Copa do Brasil. Três dias depois, no domingo (15), disputa o primeiro jogo da final contra o Botafogo-PB.

Ambos no Marizão — o que já ajuda.

O problema surge depois.

Caso avance na Copa do Brasil, o Sousa jogará novamente na quinta-feira (19) pela competição nacional, enquanto o jogo de volta da final do estadual está marcado para o sábado (21).

É uma maratona difícil de explicar.

Como competir assim? Fisiologicamente, é quase impossível manter o ritmo.

Em conversa que tive com o presidente Aldeone Abrantes, questionei se o Sousa priorizaria alguma das competições. A resposta foi direta:

O foco é o Paraibano.

Aldeone deixou claro que, entre uma eventual premiação financeira da Copa do Brasil e a conquista de mais um título estadual, o clube prefere levantar taças.

Sinceramente, parece uma decisão acertada.

O troféu de campeão paraibano vale muito mais do que apenas mais uma estrela na camisa. Ele simboliza algo maior: a consolidação do Sousa Esporte Clube como protagonista do futebol estadual.

Se o eixo João Pessoa–Campina Grande sempre teve seu famoso “trio de ferro”, o sertão também pode se orgulhar de ter o seu representante.

O Dinossauro de Aço.

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