Os bancários de todo o país cruzam os braços nesta quinta-feira (20) em uma paralisação nacional de 24 horas, após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) durante a Campanha Nacional Unificada de 2026. Na Paraíba, a mobilização reúne 3.829 trabalhadores, que aprovaram a paralisação por 89,34% dos votos. Todas as agências bancárias do estado estarão fechadas, enquanto os caixas eletrônicos permanecem disponíveis aos clientes.

A paralisação ocorre em meio ao impasse nas negociações entre trabalhadores e instituições financeiras. Segundo a categoria, os bancos apresentaram uma proposta com três faixas de reajuste e congelamento do piso de ingresso, considerada inaceitável pelos bancários. Entre as reivindicações estão aumento real de salários, valorização dos pisos, reajustes nos vales refeição e alimentação, participação nos lucros e resultados (PLR) e a criação de um piso específico para trabalhadores da área de tecnologia da informação.

O presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Lindonjhonson Almeida, afirmou que o movimento também busca chamar a atenção para as condições de atendimento oferecidas aos clientes. “Hoje é um dia de luta, de mobilização, de consciência da categoria. As agências estão fechadas. Pedimos a compreensão de toda a clientela, porque essa luta não é só dos bancários, mas também dos clientes”, declarou. Segundo ele, a redução do quadro de funcionários tem provocado dificuldades no atendimento e precisa ser enfrentada pelos bancos.

Lindonjhonson também criticou a ausência de concursos nos bancos públicos e afirmou que a categoria não aceitará diferenciações entre trabalhadores. “A proposta do banco foi querer diferenciar o trabalho do bancário. A gente não vai aceitar discriminação com a categoria”, disse. O dirigente acrescentou que os trabalhadores também rejeitam uma eventual distinção entre funcionários de bancos públicos e privados: “A categoria é nacional, é uma categoria de luta, e estamos juntos nessa luta”.

A mobilização ocorre enquanto uma nova rodada de negociação está marcada para a próxima segunda-feira (24). De acordo com a Contraf, os bancos ainda não apresentaram um índice de reajuste salarial, enquanto os trabalhadores argumentam que o setor alcançou patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão em 2025 e apontam diferenças na distribuição da PLR ao longo dos anos. Diante do impasse, o sindicato paraibano deixa aberta a possibilidade de ampliar o movimento. “Se segunda-feira na negociação não tiver avanço, nós podemos parar também por tempo indeterminado”, avisou Lindonjhonson.

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