A Justiça da Paraíba converteu em prisão preventiva as prisões temporárias do delegado Braz Morroni de Paiva Júnior e dos agentes da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (31) pela juíza Conceição de Lourdes Marsicano, da 2ª Vara Regional das Garantias, e também alcança outros investigados na Operação Perfídus, deflagrada no início de junho.

Ao analisar o pedido apresentado em conjunto pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba, a magistrada entendeu que há indícios suficientes da participação dos investigados nos crimes apurados. Segundo a decisão, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública, preservar a instrução criminal e assegurar a aplicação da lei penal. A juíza também concluiu que medidas cautelares alternativas, como monitoração eletrônica, comparecimento periódico à Justiça ou afastamento das funções públicas, seriam insuficientes diante da gravidade dos fatos.

De acordo com as investigações, policiais civis utilizavam informações fornecidas por traficantes para localizar depósitos de drogas, desviavam parte dos entorpecentes durante operações policiais e reintroduziam o material no mercado ilegal. A decisão ainda destaca indícios de uma atuação estruturada, com divisão de tarefas entre policiais, informantes e responsáveis pela distribuição das drogas, além de possíveis tentativas de ampliar a influência do grupo dentro da própria Polícia Civil.

“A garantia da ordem pública é o fundamento central que autoriza a conversão da prisão temporária em preventiva no caso concreto”, escreveu a juíza. Na decisão, ela acrescenta que “a ordem pública, como fundamento da prisão cautelar, visa proteger a sociedade da reiteração delitiva e interromper a atuação de organizações criminosas, especialmente quando seus integrantes se valem de cargos públicos e do aparato estatal para a prática de crimes”. Além dos três policiais, também tiveram as prisões convertidas em preventivas João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como “Galinha”, e José Alexandrino de Lira Júnior, o “Júnior Lira”. Já a investigada Vanessa Dantas Fernandes permanecerá em prisão domiciliar com monitoração eletrônica por ser mãe de uma criança menor de 12 anos.

Justiça prorroga prisão de delegado e policiais investigados na Operação Perfídus por mais 30 dias

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