Especialista em marketing político Anderson Pires - Foto: Larrise Monteiro.

O publicitário e especialista em marketing político, Anderson Pires afirmou que as pesquisas de intenção de voto para o Senado devem ser analisadas com cautela e que o cenário da disputa na Paraíba ainda pode sofrer mudanças significativas até as eleições de 2026. Durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio 100.5 FM, nesta sexta-feira (3), ele destacou que esse tipo de levantamento costuma registrar os maiores índices de erro por causa da possibilidade de o eleitor escolher dois candidatos.

Segundo Anderson, Marcelo Queiroga pode estar sendo subestimado nas atuais projeções justamente por essa característica das pesquisas. Na avaliação do especialista, o comportamento do eleitor muda à medida que a campanha avança, o que frequentemente altera o resultado previsto pelos levantamentos. “Talvez Queiroga esteja sendo subestimado em algumas análises. Pesquisa para senador é uma pesquisa confusa. Inclusive, é um dos levantamentos em que mais se erra, justamente porque o eleitor tem dois votos. Muitas vezes, nem quem faz a análise consegue interpretar corretamente os números”, pontuou.

Para sustentar sua avaliação, o publicitário lembrou exemplos de eleições em que as pesquisas não refletiram o resultado das urnas. Ele citou a vitória de Daniela Ribeiro na disputa pelo Senado em 2018 e o desempenho da ex-presidente Dilma Rousseff em Minas Gerais. “Você tem surpresas absurdas. Daniela Ribeiro está aí para não me deixar mentir na eleição de 2018. Em Minas Gerais, Dilma Rousseff aparecia em primeiro lugar nas pesquisas e terminou a eleição em quarto. Quando a campanha afunila, o eleitor passa a prestar atenção, consolida seu voto e muita coisa muda. Por isso, eu acho que não se pode desconsiderar Queiroga no jogo”, ressaltou.

Na sequência, Anderson avaliou que a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também deverá influenciar diretamente a corrida pelas duas vagas ao Senado Federal na Paraíba. Para ele, Marcelo Queiroga larga com uma vantagem estratégica por concentrar praticamente sozinho o eleitorado bolsonarista, enquanto os demais pré-candidatos disputam o mesmo espaço político ligado a Lula. “Com certeza, Queiroga não está fora do jogo. Eu acho que é impossível um candidato, principalmente quando tem exclusividade no campo da direita e da extrema direita, não ter uma votação significativa”, destacou.

O especialista acrescentou que, embora os candidatos apoiados por Lula disputem o mesmo eleitorado, isso não reduz a força política do presidente na Paraíba, onde ele continua sendo um dos principais ativos eleitorais. “Eles não fragilizam a campanha. Eles dividem a atenção. Tem gente que diz que Lula não decide eleição. Eu respondo: então seja contra ele para ver se ele não decide. É simples. Comece a enfrentá-lo. É óbvio que ele influencia. Pode até não eleger sozinho, mas é um fator decisivo. Num estado em que cerca de 65% do eleitorado aponta intenção de votar nele, adotar uma postura de enfrentamento não parece inteligente”, afirmou.

Por fim, Anderson ponderou que a disputa estadual terá características diferentes da eleição municipal de João Pessoa. Apesar de reconhecer que a Capital é o principal reduto do bolsonarismo na Paraíba, ele acredita que a campanha para o Senado terá uma dinâmica própria e poderá produzir mudanças importantes até o dia da votação. “É óbvio que, por ser uma eleição estadual, Queiroga não vai encontrar o mesmo cenário que teve em João Pessoa, cidade onde o bolsonarismo teve a maior votação no estado. Agora a disputa é outra e a campanha ainda pode mudar muita coisa”, finalizou.

Assista abaixo a entrevista de Anderson ao programa Ô Paraíba Boa:

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