Há gestos que falam mais alto do que discursos. E, na política, às vezes uma ausência grita mais do que uma presença.
Basta observar o roteiro junino do governador João Azevêdo. Em meio às festas espalhadas pela Paraíba, não há um único registro ao lado de seu companheiro de chapa ao Senado, Nabor Wanderley. Nenhuma foto, nenhum afago público, nenhum gesto que transmitisse a ideia de sintonia.
O capítulo mais emblemático foi justamente a ausência de João no São João de Patos, o segundo maior do estado e principal reduto político de Nabor. Em política, deixar de aparecer também é uma forma de aparecer.
Outro detalhe chamou atenção. No segundo jogo da Seleção Brasileira, a foto publicada por João em suas redes sociais mostrava apenas ele e Lucas Ribeiro. Nabor, mais uma vez, ficou fora da imagem.
E por que, de repente, a tão propalada unidade da situação se apagou na fogueira junina? É que João não aceita o assédio que os capa-pretas de Nabor estão fazendo aos seus prefeitos, garantindo a estas lideranças o que João sem a caneta não pode mais dar, mas o presidente da Câmara Federal, Hugo Motta, garante e cumpre sem pestanejar.
Coincidência? Estratégia? Recado? Cada um tire suas conclusões. O certo é que, se o São João terminou, a temperatura política parece longe de esfriar. Porque, pelo visto, ainda pode sobrar muita bomba para o São Pedro.



