O líder do prefeito na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), Odon Bezerra (PSB), voltou a expor nesta quinta-feira (18) o desconforto do grupo político ligado ao prefeito Leo Bezerra dentro do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em entrevista ao Portal Fonte83, antes da sessão legislativa, o vereador afirmou que é necessário abrir uma discussão interna sobre o tratamento dispensado a aliados da legenda e utilizou uma frase de forte impacto para ilustrar o momento: “Não somos mulher de malandro”.
Ao comentar a relação entre o grupo liderado por Leo Bezerra e o presidente estadual do PSB e ex-governador, João Azevêdo, Odon disse que ainda existe respeito e consideração pelo ex-governador, mas afirmou que a postura adotada pelo partido tem gerado insatisfação. Segundo ele, lideranças socialistas em diferentes municípios estariam enfrentando situações que demonstram falta de reconhecimento político, além de episódios semelhantes dentro da própria Câmara de João Pessoa.
“O prefeito Leo Bezerra tem muito a conversar com o ex-governador João Azevêdo. Temos atenção, respeito e carinho, mas o partido não está tratando a nós do mesmo jeito. O que estão fazendo com Hervázio em Cuitegi, Mulungu e Itapororoca se faz com o inimigo. O que estão fazendo conosco aqui dentro do próprio plenário também”, declarou. O vereador citou ainda a CPI da Cagepa e afirmou que deixou de assinar o pedido por respeito ao partido, enquanto colegas da própria bancada têm adotado posições críticas ao governo estadual.
Odon também relembrou o ato de filiação do prefeito Cícero Lucena ao MDB e ressaltou a postura de lealdade adotada por Leo Bezerra ao longo dos últimos anos. “Leo disse textualmente: ‘Voto em Veneziano, em João Azevêdo’. E o tratamento que nós temos hoje é esse? Não se ouve Júnior Pires, que era o tesoureiro do partido. Nem convite eu recebi para participar da nova mesa diretora. Foi pedido para que Leo entregasse a presidência do partido. Precisamos colocar tudo isso à mesa, discutir e encontrar soluções. Agora, nós não somos mulher de malandro que gosta de apanhar”, afirmou.
Questionado se o atual cenário poderia indicar um rompimento político, Odon evitou confirmar essa possibilidade, mas admitiu que o sentimento do grupo é de descontentamento. “Eu não estou dizendo isso. Essa é uma dedução sua. Estou externando o nosso sentimento. Temos carinho e respeito, mas também precisamos ser respeitados”, respondeu. Sobre quem deveria tomar a iniciativa para reaproximar os grupos, o parlamentar defendeu uma construção conjunta. “Os dois. É sentar à mesa e discutir. Quem tem as suas feridas, que lamba e vá buscar sanar”, acrescentou.
As declarações de Odon ocorrem poucos dias após Leo Bezerra admitir publicamente que o principal motivo para permanecer no PSB é o respeito que mantém por João Azevêdo. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o vice-prefeito revelou o desconforto com setores da legenda desde que passou a defender o nome do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB) como pré-candidato ao Governo da Paraíba em 2026. Na ocasião, Leo também afirmou que pretende conversar com João Azevêdo antes de qualquer decisão política e lamentou não ter recebido manifestações de apoio de integrantes do partido durante o período de tensão interna.




