O ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PT), afirmou que sua eventual candidatura à Câmara dos Deputados está inserida no esforço de ampliar a representação da federação Brasil da Esperança formada por PT, PCdoB e PV. Segundo ele, o movimento atende a uma orientação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da direção nacional do partido.
Durante entrevista ao programa CBN João Pessoa, da rádio CBN Paraíba, Coutinho disse que sua participação no processo eleitoral tem como objetivo contribuir para o fortalecimento da bancada federal da legenda e da federação. “Minha ida para essa disputa parte do pressuposto de que precisamos ampliar nossa representação. Esse é o sentimento do presidente Lula e da direção nacional do PT. Eu aceitei contribuir com esse processo”, afirmou.
O ex-governador avaliou que a disputa proporcional deve se concentrar em duas vagas mais consolidadas, enquanto a terceira dependerá do desempenho das coligações e do desempenho individual das candidaturas. Ele defendeu ainda maior pragmatismo político na formação das chapas.
Ricardo também criticou o atual desenho da Câmara Federal e o modelo de distribuição de emendas parlamentares. Para ele, o sistema tem provocado distorções na relação entre representantes e eleitores. “Você não pode ter um governo com 20% da Câmara dos Deputados. Hoje há uma terceirização da política. Deputado e senador não querem mais conversar com a população como antes”, disse.
O ex-governador ainda afirmou que o atual modelo favorece práticas que reduzem o peso da opinião pública no processo eleitoral. “Isso cria uma espécie de voto de cabresto moderno, não tenho dúvida. Alterado e aprofundado pela ausência de pressão da sociedade sobre a política”, declarou.
Ao comentar o papel da sociedade nesse cenário, Coutinho citou episódios recentes de mobilização popular como fator de influência em decisões do Congresso Nacional, defendendo maior participação pública na fiscalização da política.
Ele também criticou posicionamentos de parlamentares brasileiros em votações e debates recentes, apontando o que classificou como distanciamento entre parte do Legislativo e interesses nacionais.
Federação e cenário político
A federação citada por Ricardo Coutinho reúne PT, PCdoB e PV, que atuam de forma conjunta nas eleições desde 2022. Na Paraíba, o grupo reúne diferentes lideranças políticas e parlamentares em torno de uma estratégia eleitoral unificada.
O debate interno na federação ocorre em meio à reorganização das chapas proporcionais e à definição de candidaturas para a disputa de 2026, com foco na ampliação da bancada no Congresso Nacional.
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