Novas mensagens e documentos divulgados nesta sexta-feira (15) pelo site The Intercept Brasil apontam que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria atuado diretamente na produção-executiva e no gerenciamento financeiro do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As informações também foram confirmadas pela TV Globo, segundo reportagem divulgada nesta sexta.
O caso ganhou repercussão após o vazamento, na última quarta-feira (13), de mensagens e áudios envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Nas conversas, Flávio pede recursos milionários para financiar o longa-metragem sobre a trajetória política do pai.
Segundo o Intercept, o valor negociado teria chegado a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Desse total, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.
Entre os documentos obtidos pela reportagem está um contrato de produção do filme assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em janeiro de 2024. No documento, ele aparece como produtor-executivo ao lado do deputado federal Mario Frias (PL-RJ).
As novas mensagens também mostram conversas entre o empresário Thiago Miranda, apontado como intermediário nas negociações — e Daniel Vorcaro.
Em uma das mensagens atribuídas a Eduardo Bolsonaro, o ex-parlamentar comenta sobre a necessidade de manter recursos já disponíveis nos Estados Unidos. “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo”, diz trecho divulgado pela reportagem.
Ainda segundo o material revelado, Eduardo menciona dificuldades para transferências internacionais feitas diretamente do Brasil, sugerindo que o processo poderia levar meses.
Na quinta-feira (14), Eduardo Bolsonaro publicou uma nota nas redes sociais negando qualquer envolvimento com recursos do fundo ligado ao filme. Segundo ele, sua participação se limitou à cessão de direitos de imagem. “Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, afirmou.
Eduardo também alegou que sua situação migratória nos Estados Unidos impediria qualquer movimentação irregular de recursos.
De acordo com reportagem do jornal Estadão, a Polícia Federal deve abrir investigação para apurar os pagamentos feitos por Daniel Vorcaro relacionados ao filme Dark Horse.
A apuração busca esclarecer se parte dos recursos teria sido desviada para um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, ligado a Eduardo Bolsonaro e usado para custear sua permanência no país.
O senador Flávio Bolsonaro negou que os valores tenham sido enviados ao irmão.
Em entrevista à GloboNews, ele afirmou que todo o dinheiro foi utilizado exclusivamente na produção do filme. “Todo dinheiro que foi aportado nesse fundo é integralmente utilizado para fazer o filme”, declarou.
O senador também confirmou que o advogado responsável pela estrutura jurídica do projeto nos Estados Unidos era ligado a Eduardo Bolsonaro.
Os diálogos divulgados pelo Intercept mostram Flávio Bolsonaro cobrando pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro em diferentes momentos de 2025. Em um dos áudios revelados pela reportagem, o senador afirma: “Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme.”
Em outra mensagem, Flávio escreve: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.”
Segundo a publicação, uma dessas mensagens teria sido enviada em novembro de 2025, pouco antes da prisão de Vorcaro.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente e é investigado pela Polícia Federal por suposto envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Eleito deputado federal por São Paulo, Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde o início de 2025. No fim do ano passado, ele teve o mandato cassado por faltas às sessões deliberativas da Câmara dos Deputados.
Além disso, Eduardo é réu no Supremo Tribunal Federal em processo que investiga supostas articulações internacionais para pressionar autoridades brasileiras e dificultar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no caso da trama golpista.




