Tenho dezenas de motivos para não escrever este artigo. As diferenças entre mim e Zé Aldemir nunca foram pequenas. Mas existe uma coisa que nem os adversários mais ferrenhos conseguem apagar: a capacidade quase sobrenatural que Zé tem de renascer quando todos apostam em sua queda.
Quem conhece a história política de Cajazeiras sabe disso. Zé já foi dado como acabado inúmeras vezes. Em 2002, diziam que ele jamais pisaria na Assembleia Legislativa como deputado estadual. Pisou. Em 2016, enfrentou uma eleição considerada impossível, cercado por forças políticas, máquinas e interesses. Diziam que estava derrotado antes mesmo da campanha começar. O resultado? O povo o carregou até a Prefeitura de Cajazeiras.
E há uma explicação simples para isso: na maior parte de sua trajetória, Zé não teve exércitos políticos. Teve algo muito mais poderoso — o povo. O povo que conhece sua dedicação quase obsessiva pela cidade, sua presença, seu jeito popular, sua capacidade de ouvir e de trabalhar quando muitos apenas discursam.
Talvez seja exatamente isso que alguns ainda não entenderam. Zé Aldemir pode até ser ferido politicamente, mas raramente é destruído. Porque sua força nunca nasceu dos gabinetes. Nasceu das ruas.
Já Corrinha parece ter escolhido um caminho perigoso: o da ingratidão política. E Cajazeiras, cidade de memória forte e sentimento vivo, costuma ser implacável com quem transforma lealdade em conveniência. Enquanto articula nos bastidores para tentar sepultar politicamente aquele que foi peça fundamental em sua caminhada, Corrinha vai, pouco a pouco, enfrentando o desgaste silencioso que só a traição provoca.
Na rua, o sentimento é outro. O que se escuta nas calçadas, nos mercados, nas rodas de conversa e no olhar do povo é uma mistura de revolta e resposta. Porque Cajazeiras sabe distinguir divergência de traição. E mais do que isso: sabe reconhecer quem esteve ao lado da cidade nos momentos difíceis.
Talvez por isso tanta gente esteja cometendo o erro de decretar, mais uma vez, a morte política de Zé Aldemir. Um erro que a história já mostrou, repetidas vezes, ser perigoso.
Porque quando tentam enterrá-lo antes do tempo, Zé costuma fazer da própria perseguição combustível. E o povo, esse mesmo povo que nunca abandonou sua caminhada, parece disposto a responder da forma mais barulhenta possível: pelas urnas.




